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title: "Como a CVC desbloqueou +42% de engajamento mudando uma única regra do carrossel"
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description: "Um teste AB simples, estático versus autoplay, revelou que o real ganho não estava na média, mas em onde quase ninguém olhava: a partir do terceiro banner."
published_at: "2026-05-27"
updated_at: "2026-05-27"
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authors: ["Camila Shiratsubaki"]
category: "Novidades"
tags: ["Teste A/B","Estudos de Caso","Otimização de Taxa de Conversão (CRO)"]
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# Como a CVC desbloqueou +42% de engajamento mudando uma única regra do carrossel

Ao rodar um teste AB simples, comparando um carrossel estático com um carrossel em autoplay, a CVC descobriu que o real ganho não estava na média. Ele estava escondido onde quase ninguém olhava: a partir do terceiro banner.

A [CVC](https://www.cvc.com.br) é a maior operadora de turismo da América Latina, com mais de cinco décadas de estrada, presença em mais de mil lojas físicas e uma operação digital robusta. Em uma escala como essa, qualquer detalhe de interface vira alavanca: o que parece pequeno em uma página, multiplicado pelo tráfego diário, vira receita perdida ou conquistada.

É exatamente esse o ponto de partida deste case. Em uma das landing pages de maior tráfego da CVC, o topo da página exibe um carrossel de banners com as principais promoções. Na versão até então vigente, o carrossel era estático, para conhecer outras ofertas, o usuário precisava clicar nas setas ou nos indicadores. Funcional, mas exigia esforço.

## A hipótese

O time de produto levantou uma pergunta direta: e se o carrossel rodasse sozinho?

A intuição era clara. Reduzir o esforço de descoberta tende a aumentar o consumo de informação. Se o usuário não precisa decidir avançar para ver mais ofertas, a chance de uma promoção captar sua atenção sobe. Mas intuição não é dado, e a CVC tratou a pergunta como ela deve ser tratada: um teste.

> Cada decisão de interface no topo da página tem efeito de alavanca. Vale testar antes de afirmar.
>
> – André Delamata – Coordenador de canais digitais, digital e growth

![Carrossel da landing page](https://storage.googleapis.com/croct-assets-b931d070/blog/CVC_case_carousel_internal_image_7746b0f4f0/CVC_case_carousel_internal_image_7746b0f4f0.png?updated_at=2026-05-25T20:30:09.765Z "Carrossel da landing page")

## O setup do teste

O experimento comparou duas variantes simples:

- **Variante A (controle):** carrossel estático, com troca apenas mediante clique do usuário
- **Variante B (tratamento):** carrossel com autoplay, banners avançando automaticamente em intervalos fixos

A métrica principal foi engajamento com os banners, medido pelos cliques nas promoções exibidas. Cada banner conta com dois CTAs distintos, compra pelo site e compra em loja física, o que permitiu olhar o efeito do autoplay também por fluxo de conversão.

## O resultado geral

O autoplay venceu, e venceu de forma consistente. A variante com rotação automática registrou um **uplift de 42%** no engajamento total com o carrossel. A hipótese se confirmou: tirar a fricção da descoberta aumenta a interação.

E o ganho não foi enviesado por um único caminho de compra. Quando o resultado foi quebrado por CTA, os dois fluxos seguiram a mesma direção:

- **+42% de uplift** no CTA de compra pelo site
- **+48% de uplift** no CTA de compra em loja física

Ou seja: o efeito não premia um perfil específico de usuário. Tanto quem fecha online quanto quem prefere finalizar com um consultor na loja respondeu melhor ao formato automatizado.

## Onde o teste ficou realmente interessante

O número de manchete, +42%, bastaria para subir o autoplay para produção e seguir a vida. O time, porém, deu o passo que separa um teste decente de um teste bem feito: abriu o resultado banner a banner.

E aí a história mudou de figura.

| Banner               | Resultado           | Interpretação                                                                                 |
| -------------------- | ------------------- | --------------------------------------------------------------------------------------------- |
| 1ª posição           | Pior desempenho     | A troca automática rouba o tempo de atenção do usuário antes que ele perceba o conteúdo.      |
| 2ª posição           | Empate técnico      | O autoplay não trouxe ganho relevante nessa posição.                                          |
| 3ª posição em diante | +75% de engajamento | Aqui mora o real ganho do autoplay: ofertas que antes ficavam invisíveis passam a ser vistas. |

Em outras palavras, a média escondia três histórias diferentes. O autoplay penaliza o primeiro banner, empata no segundo e desbloqueia uma faixa de ofertas que, no modelo estático, simplesmente não recebiam atenção. O ganho de 42% no agregado vem, na prática, do que estava acontecendo do terceiro banner em diante.

> A média geral confirmava a hipótese. A análise por posição é o que transforma o resultado em decisão de produto.
>
> – André Delamata – Coordenador de canais digitais, digital e growth

## Implicações para o negócio

Esse desdobramento muda a forma como a CVC pode operar a vitrine de promoções no topo da página.

### 1. O lugar de honra pode não ser mais o primeiro slot

Existe uma convenção quase automática no e-commerce: a oferta mais forte vai no primeiro banner. O dado deste teste sugere o contrário quando o carrossel está em autoplay. Se o primeiro banner é justamente o que mais perde com a rotação automática, colocar ali a promoção principal é entregar a peça mais valiosa para a posição mais fraca.

### 2. Ofertas “de cauda” deixaram de ser invisíveis

No formato estático, o terceiro banner em diante dependia de um usuário curioso o suficiente para clicar nas setas. No autoplay, essas ofertas passaram a ser exibidas de forma orgânica, e respondem com mais de 75% de aumento em engajamento. Isso abre espaço para usar essas posições de forma muito mais estratégica, com testes de oferta, de público e de mensagem.

### 3. Olhar a média basta para concluir. Não basta para aprender.

Se o time tivesse parado no “autoplay venceu”, teria implementado uma boa mudança e perdido uma decisão melhor. A leitura granular é o que transformou o teste em insumo para uma estratégia de merchandising digital.

## Próximos passos: o que testar a seguir

Resultados bons abrem hipóteses melhores. A partir desse experimento, três frentes já estão na mesa:

- **Delay inicial**: segurar o autoplay por alguns segundos antes da primeira troca, dando ao usuário tempo de absorver o banner de entrada. Pode recuperar parte da queda observada na primeira posição sem abrir mão do ganho nas posições seguintes.
- **Velocidade de rotação**: o intervalo entre as trocas é uma variável independente. Rotações mais lentas tendem a favorecer leitura; mais rápidas, exposição. Existe um ponto ótimo que só se descobre testando.
- **Pause on hover**: pausar a rotação quando o cursor está sobre o carrossel. Sinal claro de interesse, que merece tempo. Tende a melhorar a qualidade do clique, não só a quantidade.

## Conclusão

O teste da CVC é um bom exemplo de algo que parece óbvio e quase nunca é praticado: experimentação não termina quando o vencedor é declarado. Termina quando o time entende o porquê do resultado e o que ele habilita.

Mudar o carrossel de estático para autoplay foi, no fim, a parte fácil. O valor real do experimento está no aprendizado sobre como o usuário consome uma vitrine de ofertas no topo de uma página de alto tráfego, e em quantos testes novos isso destrava.

Mais 42% de engajamento é uma boa manchete. Saber exatamente onde esses 42% nascem é o que constrói a próxima vitória.

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