Como a CVC desbloqueou +42% de engajamento mudando uma única regra do carrossel
Ao rodar um teste AB simples, comparando um carrossel estático com um carrossel em autoplay, a CVC descobriu que o real ganho não estava na média. Ele estava escondido onde quase ninguém olhava: a partir do terceiro banner.
A CVC é a maior operadora de turismo da América Latina, com mais de cinco décadas de estrada, presença em mais de mil lojas físicas e uma operação digital robusta. Em uma escala como essa, qualquer detalhe de interface vira alavanca: o que parece pequeno em uma página, multiplicado pelo tráfego diário, vira receita perdida ou conquistada.
É exatamente esse o ponto de partida deste case. Em uma das landing pages de maior tráfego da CVC, o topo da página exibe um carrossel de banners com as principais promoções. Na versão até então vigente, o carrossel era estático, para conhecer outras ofertas, o usuário precisava clicar nas setas ou nos indicadores. Funcional, mas exigia esforço.
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A hipótese
O time de produto levantou uma pergunta direta: e se o carrossel rodasse sozinho?
A intuição era clara. Reduzir o esforço de descoberta tende a aumentar o consumo de informação. Se o usuário não precisa decidir avançar para ver mais ofertas, a chance de uma promoção captar sua atenção sobe. Mas intuição não é dado, e a CVC tratou a pergunta como ela deve ser tratada: um teste.
Cada decisão de interface no topo da página tem efeito de alavanca. Vale testar antes de afirmar.
O setup do teste
O experimento comparou duas variantes simples:
- Variante A (controle): carrossel estático, com troca apenas mediante clique do usuário
- Variante B (tratamento): carrossel com autoplay, banners avançando automaticamente em intervalos fixos
A métrica principal foi engajamento com os banners, medido pelos cliques nas promoções exibidas. Cada banner conta com dois CTAs distintos, compra pelo site e compra em loja física, o que permitiu olhar o efeito do autoplay também por fluxo de conversão.
O resultado geral
O autoplay venceu, e venceu de forma consistente. A variante com rotação automática registrou um uplift de 42% no engajamento total com o carrossel. A hipótese se confirmou: tirar a fricção da descoberta aumenta a interação.
E o ganho não foi enviesado por um único caminho de compra. Quando o resultado foi quebrado por CTA, os dois fluxos seguiram a mesma direção:
- +42% de uplift no CTA de compra pelo site
- +48% de uplift no CTA de compra em loja física
Ou seja: o efeito não premia um perfil específico de usuário. Tanto quem fecha online quanto quem prefere finalizar com um consultor na loja respondeu melhor ao formato automatizado.
Onde o teste ficou realmente interessante
O número de manchete, +42%, bastaria para subir o autoplay para produção e seguir a vida. O time, porém, deu o passo que separa um teste decente de um teste bem feito: abriu o resultado banner a banner.
E aí a história mudou de figura.
| Banner | Resultado | Interpretação |
|---|---|---|
| 1ª posição | Pior desempenho | A troca automática rouba o tempo de atenção do usuário antes que ele perceba o conteúdo. |
| 2ª posição | Empate técnico | O autoplay não trouxe ganho relevante nessa posição. |
| 3ª posição em diante | +75% de engajamento | Aqui mora o real ganho do autoplay: ofertas que antes ficavam invisíveis passam a ser vistas. |
Em outras palavras, a média escondia três histórias diferentes. O autoplay penaliza o primeiro banner, empata no segundo e desbloqueia uma faixa de ofertas que, no modelo estático, simplesmente não recebiam atenção. O ganho de 42% no agregado vem, na prática, do que estava acontecendo do terceiro banner em diante.
A média geral confirmava a hipótese. A análise por posição é o que transforma o resultado em decisão de produto.
Implicações para o negócio
Esse desdobramento muda a forma como a CVC pode operar a vitrine de promoções no topo da página.
1. O lugar de honra pode não ser mais o primeiro slot
Existe uma convenção quase automática no e-commerce: a oferta mais forte vai no primeiro banner. O dado deste teste sugere o contrário quando o carrossel está em autoplay. Se o primeiro banner é justamente o que mais perde com a rotação automática, colocar ali a promoção principal é entregar a peça mais valiosa para a posição mais fraca.
2. Ofertas “de cauda” deixaram de ser invisíveis
No formato estático, o terceiro banner em diante dependia de um usuário curioso o suficiente para clicar nas setas. No autoplay, essas ofertas passaram a ser exibidas de forma orgânica, e respondem com mais de 75% de aumento em engajamento. Isso abre espaço para usar essas posições de forma muito mais estratégica, com testes de oferta, de público e de mensagem.
3. Olhar a média basta para concluir. Não basta para aprender.
Se o time tivesse parado no “autoplay venceu”, teria implementado uma boa mudança e perdido uma decisão melhor. A leitura granular é o que transformou o teste em insumo para uma estratégia de merchandising digital.
Próximos passos: o que testar a seguir
Resultados bons abrem hipóteses melhores. A partir desse experimento, três frentes já estão na mesa:
- Delay inicial: segurar o autoplay por alguns segundos antes da primeira troca, dando ao usuário tempo de absorver o banner de entrada. Pode recuperar parte da queda observada na primeira posição sem abrir mão do ganho nas posições seguintes.
- Velocidade de rotação: o intervalo entre as trocas é uma variável independente. Rotações mais lentas tendem a favorecer leitura; mais rápidas, exposição. Existe um ponto ótimo que só se descobre testando.
- Pause on hover: pausar a rotação quando o cursor está sobre o carrossel. Sinal claro de interesse, que merece tempo. Tende a melhorar a qualidade do clique, não só a quantidade.
Conclusão
O teste da CVC é um bom exemplo de algo que parece óbvio e quase nunca é praticado: experimentação não termina quando o vencedor é declarado. Termina quando o time entende o porquê do resultado e o que ele habilita.
Mudar o carrossel de estático para autoplay foi, no fim, a parte fácil. O valor real do experimento está no aprendizado sobre como o usuário consome uma vitrine de ofertas no topo de uma página de alto tráfego, e em quantos testes novos isso destrava.
Mais 42% de engajamento é uma boa manchete. Saber exatamente onde esses 42% nascem é o que constrói a próxima vitória.
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